segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sampa city blues.

Robson Fernandes, gaitista brasileiro de blues se prepara para gravar seu terceiro álbum e tocar no Festival de Jazz e Blues do Rio das Ostras.

Se um dia você entrar na casa de Robson Fernandes, certamente uma das primeiras coisas que chamarão sua atenção será a presença dos mestres pendurados na parede da sala.

Durante a conversa que tivemos para esta matéria, senti-me vigiado- ou acompanhado, que seja- por (da esquerda pra direita) Walter Horton, Little Walter, John Coltrane e Sonny Boy Williamson II.

Não satisfeito em tê-los apenas em sua casa, o bluseiro leva- tatuadas- as iniciais de algumas de suas maiores influências em seu braço esquerdo: JC;SBW;LW;WH;TJ (Tom Jobim compensa no braço, sua ausência na parede).

No mês que vem, com 32 anos completados, o músico tocará, pela primeira vez, no Festival de Jazz e Blues do Rio das Ostras juntamente com grandes nomes como John Mayall e John Scofield. “É o único grande festival de blues do país em que ainda não participei, estou feliz em poder estar lá, ao lado desses grandes músicos”; afirma.

Robson conheceu a gaita aos 16 anos. Naquela época, tinha como hábito ouvir um programa de blues no rádio quando chegava da escola. Ao ver um colega tocando uma gaita diatônica, resolveu finalmente comprar uma (que conseguiu quebrar, no mesmo dia).“Tentei reproduzir o que ouvia no programa de rádio. Como não conseguia, abri a gaita, comecei a mexer nas paletas e acabei quebrando. Chorei e no outro dia comprei outra.”. Superado este incidente inicial , o gaitista começou a tocar e a estudar música seriamente; tendo, entre outras coisas, aulas de teoria do improviso com guitarristas de jazz.

Aos 18 começou a tocar profissionalmente com o guitarrista de blues Danny Vincent. Seu segundo show foi no Bourbon Street, onde recorda ter ficado nervoso ao lembrar que estava tocando no mesmo palco onde B.B.King havia tocado.

Em 2001 vende seu amplificador e grava, de modo independente, seu primeiro álbum; Sampa Blues, fruto de sua carreira solo (ainda recente àquela altura).

Sampa Blues, que foi o primeiro álbum de blues instrumental do Brasil, teve excelente venda e repercussão. Entre as boas críticas nacionais e internacionais que recebeu pelo álbum, Robson guarda com carinho um postal que recebeu de Charlie Musselwhite (o lendário gaitista americano, contemporâneo do não menos lendário Paul Butterfield):

“Este é um dos melhores gaitistas que já escutei nos últimos tempos.”, afirma Musselwhite.

Gumbo Blues, seu segundo álbum- e o primeiro cantado- foi lançado em 2005 e consolidou sua carreira tanto nacional quanto internacionalmente. Por meio do disco, o músico fez sua primeira turnê pelo Brasil inteiro entre 2006 e 2007, apareceu em vários programas de televisão e tornou-se o primeiro gaitista brasileiro, de blues, a ter um álbum solo distribuído nos Estados Unidos e Europa. A importância disso? “Tente imaginar um japonês cantando samba em português no Brasil e sendo aceito numa boa”, brinca Robson.

Nesse momento o músico compõe alguma das músicas de seu teceiro álbum, que pretende gravar ainda este ano.

Para saber/ouvir mais:
www.robsonfernandes.com
www.riodasostrasjazzeblues.com

Um comentário:

Natália Bridi disse...

Faria uso do "tá legal" só para te fazer feliz e facilitar minha vidinha, mas teu blog merece considerações mais elaboradas. Curti muito o que li até agora... Humor, cinismo e gosto para falar de música, em um texto que só me faz querer escrever mais e melhor.Continuarei a ler e prometo um comentário mais inspirado na próxima.
Beijos e asteriscos, guri